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O que você precisa saber para automatizar sua residência

Neste artigo, serão apresentadas resumidamente as principais soluções de automação residencial existentes no mercado, informações sobre preços e funcionamento, informações para quem deseja automatizar residências já construídas, ou em fase de projeto, e informações para quem quer desenvol- ver sua própria solução de automação residencial
A tecnologia está tão presente na nossa vida que nem sequer nos damos conta da velocidade da sua evolução. Para as gerações mais antigas, muitas vezes lidar com a tecnologia é um desafio, já para as mais novas é simplesmente natural.

Desde criança os membros da nova geração convivem com a eletrônica e a automação embutida em brinquedos com uma boa dose de inteligência. É cada vez maior o número de crianças que operam o computador, aparelho de DVD, TV e controle remoto com habilidade muitas vezes superior à dos adultos. Essas crianças crescem imersas em um ambiente de alta tecnologia e se tornam praticamente consultores técnicos que fornecem suporte à aquisição e uso dos mais modernos equipamentos eletrônicos.

A geração atual convive harmoniosamente com uma quantia tão grande de equipamentos que possuem embutida uma imensa gama de modelos de microcontroladores e microprocessadores, que tornam imperceptível o grau de computação por traz de tudo que as faz viver melhor. A essa computação invisível muitos especialistas dão o nome de computação pervasiva ou ubíqua.

Nos últimos tempos, com o avanço da tecnologia e o consequente barateamento dos materiais necessários para a produção em grande escala de produtos eletrônicos de alta tecnologia, as residências estão cada vez mais modernas e integradas por redes como a Internet. O computador se tornou um centralizador de rede e de funções que podem ser distribuídas e integradas a outros computadores, TVs, equipamentos de som, videogames, câmeras de vigilância etc por meio de uma rede residencial plug-and-play que pode ser facilmente configurável. Essa facilidade de comunicação entre equipamentos de diversas marcas e a queda de preços têm tornado possível fazer da residência um ambiente mais agradável, confortável, seguro e divertido.

Mas isso é automação residencial, ou seja, a integração de equipamentos eletrônicos facilmente configuráveis como TV e computador?

Não, automação residencial envolve um conjunto de equipamentos especializados que podem integrar e permitir o controle de equipamentos eletrônicos, de segurança, refrigeração, hidráulicos etc.

Evandro Carlos Teruel

Motivação para escrever este artigo

Quando comecei a pesquisar sobre automação residencial, o primeiro passo foi conseguir uma forma de conhecer as soluções existentes no Brasil. Para isso, entrei em contato com um profissional certificado em automação residencial que me acompanhou em algumas visitas ao show room de diversas empresas representantes das principais tecnologias comercializadas na cidade de São Paulo. Em seguida, para conhecer mais a fundo o funcionamento dessas soluções fiz um curso para integrador de sistemas de automação residencial ministrado pela Associação Brasileira de Automação Residencial (AURESIDE).

Conhecendo o funcionamento de diversas soluções de automação residencial existentes, estudei eletrônica e programação para microcontroladores e desenvolvi minha própria solução de automação residencial para validar um framework que propus em uma tese de mestrado em Tecnologia. Essa solução está em funcionamento em minha residência e os vídeos estão disponíveis na sessão de tecnologia do Youtube.

Devido à divulgação dos resultados dessa pesquisa e dos artigos que publiquei, tenho recebido diversos e-mails com dúvidas que pretendo sanar neste artigo, a começar pelas principais soluções de automação residencial comercializadas. Antes, porém, é necessário que o leitor conheça o que uma solução de automação residencial pode proporcionar. Isso é apresentado na sequência.

Confortos proporcionados por uma solução de automação residencial

Entre as comodidades oferecidas pelas soluções de automação residencial, estão funções como abrir ou fechar cortinas e portões automáticos; acionar a bomba da piscina ou o sistema de irrigação do jardim; ligar aquecedores, saunas ou aparelhos de ar condicionado e ligar ou desligar diversos outros equipamentos que não exigem interferência humana para funcionar, incluindo cafeteiras, torradeiras, abajures, exaustores e outros.

Por meio de controles remotos programáveis ou painéis digitais é possível controlar todo o ambiente, desde ligar ou desligar dispositivos até controlar a intensidade de lâmpadas e criar cenários para romance, jantar, visita etc. É possível também controlar a intensidade de ar condicionado, aquecedores etc.

Muitas soluções ainda oferecem recursos para iluminar antecipadamente o ambiente para o qual se está indo, ou seja, se você estiver em um ambiente, consegue controlar a iluminação de outro para onde vai se dirigir. Há procedimentos automáticos que acendem, apagam e personalizam a intensidade da iluminação automaticamente em um ambiente baseado na leitura de modernos sensores de movimento e presença.

As principais soluções de automação residencial existentes ainda possibilitam integrar a iluminação, as cortinas motorizadas e todos os equipamentos de áudio e vídeo. Por exemplo, é possível programar a sala de home theater de forma que com um único toque no controle remoto seja acionada a tela, o projetor, as caixas acústicas, o DVD player, a iluminação e a cortina, deixando os ambientes adequados para cada ocasião.

Adicionalmente, o usuário pode adquirir módulos que permitem a integração com a Internet. Esses módulos podem viabilizar o agendamento de funções. Por exemplo, é possível marcar data e horário para acender e apagar as luzes de um ou mais ambientes, acionar a irrigação do jardim, etc. Outro serviço oferecido geralmente é relacionado à segurança, incluindo recursos de voz e imagens que possibilitam monitorar ambiente a distância, ter acesso remoto ao sistema, realizar videoconferências, receber no celular mensagens de alerta etc.

As soluções de automação residencial que proporcionam as funcionalidades descritas são apresentadas a seguir.

Principais soluções de automação residencial

Atualmente, as soluções de automação residencial mais modernas e que apresentam melhor custo/benefício são as que utilizam as tecnologias ZigBee e Z-Wave. Essas soluções possuem comunicação por radiofrequência3 e são indicadas tanto para residências já construídas quanto em fase de projeto. Para aquelas já construídas, essas soluções são ideais, pois não necessitam de custosas intervenções na parte física da residência para sua instalação. Além disso, a qualquer momento o usuário pode adquirir novos dispositivos e conectá-los a rede de automação doméstica sem complicação.

Equipamentos que utilizam as tecnologias Z-Wave e ZigBee consomem pouca energia elétrica. Por exemplo, os módulos ZigBee podem funcionar por cerca de seis meses, usando apenas pilhas comuns.

Uma rede residencial de automação que utiliza as tecnologias Z-Wave ou ZigBee funciona com topologia4 em forma de malha. Nesse tipo de topologia de rede, todos os módulos se comunicam com todos ao seu alcance tornando a comunicação bastante eficiente como mostra a figura 1.

figura_1_automacao_residencial
Redes de malha proporcionam maior confiança nos comandos de controle por introduzir redundância. A redundância no envio de sinais consiste no envio de comandos repetindo em mais de um caminho, o que assegura o sucesso na transmissão no caso de um dos caminhos sofrer interferência.
Z-Wave

Z-Wave é uma tecnologia desenvolvida especialmente para automação residencial por uma empresa dinamarquesa conhecida como Zensys. Hoje trabalham no desenvolvimento da tecnologia gigantes como Intel e Cisco.

A rede Z-Wave pode ter até 232 dispositivos colocados a uma distância máxima de 30 m. Durante o uso de equipamentos com a tecnologia Z-Wave, os dispositivos “aprendem” os melhores caminhos para a troca de informações; assim, um comando como desligar todas as luzes em um primeiro momento pode demorar um minuto; e uma semana depois dez segundos, pois as rotas para as informações foram otimizadas.

Apesar da tecnologia Z-Wave ser uma solução interessante principalmente para residências já construídas, a velocidade na transmissão dos dados é baixa, o que ainda inviabiliza a transmissão de imagem, som e outros dados. Ademais, para soluções que necessitem de mais que 30 dispositivos, a solução Z-Wave começa a ficar mais cara que um sistema que usa comunicação por cabos.

Soluções com tecnologia Z-Wave são comercializadas em São Paulo por empresas e profissionais certificados pela Z-Wave. Veja mais informações no site.

Se você possui uma empresa e deseja fabricar equipamentos que se comuniquem por meio da tecnologia Z-Wave, poderá se associar ao grupo de empresas colaboradoras que ajudam a manter e desenvolver a tecnologia Z-Wave. Veja como no site. Soluções com tecnologia ZigBee criam uma rede em forma de malha onde dispositivos trabalham juntos para a troca de dados. É uma rede com transmissão por radiofrequência de baixa largura da banda com tecnologia de controle de rede que opera no padrão de IEEE6 802.15.4, e tem 26 frequências que podem ser escolhidas nesta banda. Quando a rede é montada, escolhe automaticamente o canal mais tranquilo que encontrar e estabelece a comunicação naquele canal. A rede também tem a habilidade, sem intervenção de operador de mudar de canal.

Se você possui uma empresa e deseja vender produtos com chip ZigBee, deverá se associar à aliança ZigBee, e pagar uma taxa de sociedade. Instituições de pesquisa têm acesso livre ao protocolo que é administrado pela aliança. Veja mais no site.

Em São Paulo, a empresa SMS Tecnologia Eletrônica lançou em 2008 uma solução de automação residencial, com comunicação total por radiofreqüência, que emprega a tecnologia ZigBee. Saiba mais no site.

Outras Tecnologias

Neste artigo são apresentadas ainda as tecnologias das marcas Insteon, Lutron, LonWorks, Install Heading e Intelligent Home Control (IHC).

Insteon é uma tecnologia para automação residencial cujos dispositivos são importados da empresa americana SmartHome e são comercializados em São Paulo pela empresa DK Sistemas. Essa tecnologia usa um protocolo de comunicação de mão dupla, considerado uma evolução do X10, com a diferença de ter um controle maior do sinal para garantir que um comando não apague, por exemplo, a luz da casa do vizinho. Cada equipamento tem um endereço para o qual o sinal é direcionado. Este equipamento recebe o sinal e encerra seu trajeto. O protocolo de comunicação do Insteon também não permite o desvio ou perda do sinal por oscilações na rede elétrica devido, por exemplo, ao acionamento de um liquidificador ou furadeira elétrica.

As soluções com tecnologia Insteon podem se comunicar por cabos ou por radiofreqüência e todas as funções também podem ser centralizadas em um computador e controladas por um software proprietário.

O problema principal da tecnologia LonWorks é a baixa interoperabilidade entre equipamentos de fabricantes diferentes na rede.

A tecnologia Install Heading é uma tecnologia nacional comercializada pela empresa Heading Produtos e Serviços Ltda que é voltada para a automação predial, mas aplicável à automação residencial. É uma tecnologia que usa cabeamento estruturado, de controle centralizado que permite gerenciar, supervisionar e integrar localmente ou à distância os vários subsistemas de uma residência.

A desvantagem dessa tecnologia é que a programação dos dispositivos é feita por meio de um computador usando um software dedicado chamado CPSW-1, o que deixa o usuário preso a um profissional para dar manutenção no sistema.

A tecnologia Intelligent Home Control (IHC) é uma tecnologia da Schneider Electric que usa cabeamento estruturado e permite controlar diversos subsistemas da residência por meio de controle local e remoto infravermelho, ou à distância por meio da internet, telefone comum e celular. A programação das funções de automação pode ser alterada ou ampliada a qualquer momento. Assim como a maioria das tecnologias, o sistema é modular podendo ser implantado por etapas. A lista de empresas que comercializa a tecnologia IHC pode ser obtida no site.

Como funciona a comunicação nas soluções de automação residencial

Em uma solução de automação residencial a comunicação entre os módulos de automação e os dispositivos pode acontecer de duas formas principais: por cabos ou por radiofrequência.

Todas as soluções serão ligadas ao quadro elétrico, portanto todas utilizam cabeamento. Algumas soluções cabeadas transmitem as informações usando a rede elétrica existente, outras utilizam um cabeamento de dados pró- prio que deve ser previsto no projeto da residência para evitar custosas reformas (retrofitting).

A figura 2 apresenta o esquema de ligação de uma lâmpada de forma comum sem automação ao quadro elétrico.

figura_2_automacao_residencial Observe que no lugar de um interruptor comum, foi colocado um pulsador (PL) que, quando pressionado, envia um sinal para o dispositivo de entrada do quadro de automação (QE) e esse dispositivo envia o sinal para o dispositivo de processamento. Após a interpretação do sinal, ele o transmite para o dispositivo de saída que ativa um relé fechando o circuito e ascendendo a lâmpada.

É importante perceber que todos os aparelhos que antes eram ligados diretamente no quadro elétrico, em um ambiente automatizado passarão pelo quadro de automação, caso necessitem de alguma função automatizada. Essas ligações do quadro de automação, para os aparelhos elétricos geralmente são feitas formando uma rede com topologia estrela.

Outra observação apropriada é que os dispositivos de entrada e saída podem fazer parte do quadro de automação ou estar separados e ligados por cabos ao quadro de automação, dependendo do fabricante.

A figura 3 mostra quais mudanças serão necessárias no esquema elétrico para a ligação de uma lâmpada controlada por um sistema de automação residencial com cabeamento de dados.
figura_3_automacao_residencial
Observe que no lugar de um interruptor comum, foi colocado um pulsador (PL) que, quando pressionado, envia um sinal para o dispositivo de entrada do quadro de automação (QE) e esse dispositivo envia o sinal para o dispositivo de processamento. Após a interpretação do sinal, ele o transmite para o dispositivo de saída que ativa um relé fechando o circuito e ascendendo a lâmpada.

É importante perceber que todos os aparelhos que antes eram ligados diretamente no quadro elétrico, em um ambiente automatizado passarão pelo quadro de automação, caso necessitem de alguma função automatizada. Essas ligações do quadro de automação, para os aparelhos elétricos geralmente são feitas formando uma rede com topologia estrela.

Outra observação apropriada é que os dispositivos de entrada e saída podem fazer parte do quadro de automação ou estar separados e ligados por cabos ao quadro de automação, dependendo do fabricante.

Já nos sistemas com transmissão de dados por radiofrequência, o sistema de ligação é muito parecido com o sistema que usa cabeamento de dados. A diferença principal é que não há um quadro de automação, e sim pequenos módulos de automação descentralizados que são embutidos na parede, e recebe também uma ligação do cabo neutro como mostra a figura 4.
figura_4_automacao_residencial
É possível observar que em lugar do pulsador é usado um controle remoto. A troca de dados entre o controle remoto e o dispositivo de entrada é por radiofrequência, assim como entre os módulos de controle. Um módulo de controle pode transmitir o sinal a outro, caso no processamento do sinal seja verificado que uma segunda lâmpada deve ser ligada ou desligada. Esses módulos de controle funcionam também como pontos de retransmissão de informações, o que cria uma rede com topologia em forma de malha em que todos os módulos se comunicam com todos ao seu alcance tornando a comunicação bastante eficiente.
O que é necessário para automatizar uma residência?

Muitas pessoas me perguntam se podem comprar as produtos de automação em lojas de materiais para construção, lojas de materiais elétricos e se elas mesmas podem instalar os equipamentos de automação. Na maioria das vezes, elas associam automação residencial com aquela lâmpada que acende e apaga automaticamente na garagem, o portão da garagem etc. De fato, são equipamentos automatizados, mas não abrangem as funcionalidades principais das soluções de automação residencial.

Sistemas de automação residencial possuem dispositivos que integram e atuam nas funções de elétrica, hidráulica e ar condicionado, permitindo o uso customizado de aparelhos elétricos.

Há muito tempo os sistemas de automação residencial deixaram de executar apenas procedimentos automáticos e passaram a apresentar funções complexas que viabilizam sua personalização para atender as necessidades do proprietário.

As principais soluções existentes hoje admitem a inserção de um conjunto de instruções específicas para modificar seu uso. Assim, o sistema torna-se um gerenciador ao invés de um mero controlador como o portão da garagem. Esses sistemas residenciais inteligentes dependem de comunicação de mão-dupla e retroalimentação de status entre todos os sistemas para um melhor desempenho, ou seja, um dispositivo recebe um sinal e devolve seu status ao sistema. A integração das partes do sistema (elétrica, hidráulica, refrigeração etc.) é feita por meio de softwares e uma infraestrutura adequada é necessária para sua implantação.

A maioria das soluções de automação residencial existentes possui características e protocolos de comunicação particulares que precisam de treinamento especializado para sua instalação. Por esse motivo, é necessária a contratação de uma empresa ou profissional certificado. Outra solução é fazer o curso para certificação na tecnologia escolhida e depois instalar você mesmo. No site da Associação Brasileira de Automação Residencial é possível encontrar uma grande relação de profissionais certificados e empresas representantes de diversas tecnologias.

Como automatizar uma residência em fase de projeto?

O momento ideal para se optar por uma solução de automação residencial é na fase de projeto da residência. Nessa etapa, é importante incluir na planta do imóvel a infraestrutura necessária para a solução de automação residencial, mesmo que você não tenha a intenção imediata de instalar os módulos de automação. O ideal nessa fase é a adequada comunicação entre o engenheiro civil o engenheiro eletricista, o arquiteto e o profissional certificado em automação residencial. Este último é o especialista em automação residencial, por meio do qual as soluções são comercializadas. São raras as empresas que comercializam soluções de automação residencial sem o intermédio de um integrador de sistemas de automação residencial certificado. Hoje, muitos arquitetos e engenheiros estão obtendo certificação em integração de sistemas de automação residencial como um diferencial na oferta de seus serviços, eliminando assim a figura do especialista em integração de sistemas. Um integrador de sistemas de automação residencial cobra em média 3% a 4% do valor da obra pelo projeto e instalação.

No projeto da residência também é muito comum a inclusão da infra-estrutura necessária para a instalação de sistemas de aspiração central. Apesar de geralmente não fazer parte das soluções de automação residencial, podem ser integradas a esses sistemas e muitas vezes comercializadas juntamente com as soluções de automação residencial.

Aspiração central consiste na instalação de um aspirador central em área de serviço, tais como: garagem, depósito ou lavanderia. Esta unidade fica interligada a uma rede de tubos de PVC distribuídos no interior de paredes, forros ou sob pisos, finalizando em tomadas fixas especiais, estrategicamente distribuídas dentro do ambiente. Ao encaixar a mangueira nestas tomadas aciona-se automaticamente o sistema de aspiração.

Outra consideração valiosa relacionada ao projeto é o aproveitamento ade- quado dos recursos elétricos. É importante projetar o imóvel para aproveitar a luz natural por meio do posicionamento e aumento no tamanho das janelas, uma vez que as soluções de automação residencial têm como uma das preocupações a redução no consumo de energia. Uma boa ajuda também vem de um bom projeto.

A propósito, em fase de projeto, tanto as soluções com comunicação por cabos como as por radiofrequência são indicadas.

Como automatizar uma residência já construída?

A instalação de uma solução de automação residencial em uma residência já construída implica no que é denominado retrofitting (reforma). Para esses casos, soluções com comunicação sem fio evitam uma mudança radical na estrutura do imóvel residencial, mas, fatalmente, algumas paredes terão de ser quebradas para a inserção de módulos e ligação de fios ou colocação de conduítes, uma vez que a comunicação é sem fio entre os módulos, mas geralmente cada dispositivo terá de ser ligado ao quadro elétrico, ou ao equipamento a ser controlado por meio de fios.

Muitas residências mais antigas não possuem nem mesmo aterramento elétrico e as extensões que vão sendo puxadas com o tempo podem interferir no bom funcionamento da rede elétrica e, consequentemente, das soluções de automação. Existem soluções no mercado cuja comunicação se dá por rede elétrica. Para essas, a adequada instalação elétrica é crucial para o funcionamento.

É aconselhável escolher uma solução de automação residencial por meio de um integrador de sistemas ou empresa especializada que possa trabalhar junto com um eletricista de sua confiança para a instalação da solução. Você pode também optar por utilizar o serviço do eletricista da própria empresa que comercializa os produtos de automação.

Quanto custa automatizar uma residência?

O preço, das soluções de automação residencial é variável, dependendo da tecnologia, da quantidade de dispositivos, da infra-estrutura da residência etc. Geralmente, quando você solicita um orçamento a uma empresa que vende produtos de automação residencial, só conseguirá tê-lo após a visita de um integrador de sistemas. De fato, o fornecimento de um orçamento depende de um conjunto de fatores que tornam a visita de um especialista imprescindível.

Apenas para ter uma idéia é apresentado abaixo um orçamento divulgado no curso de Integrador de Sistemas de Automação Residencial ministrado pela Associação Brasileira de Automação Residencial (AURESIDE) em 2007.

O pedido de orçamento foi feito a empresas que comercializam as tecnologias, Install Heading, Z-WAVE, Insteon e HomeWorks Lutron. No pedido de orçamento constam os equipamentos para a automação de:

• Três lâmpadas controladas (com função liga/desliga);
• 13 lâmpadas controladas que permitem controle de intensidade da iluminação;
• Quatro tomadas controladas (com função liga/desliga);
• Um lift com função (subir/descer);
• Duas cortinas (com função abre/fecha);
• Um tela (projetor).

Pode ser observado que as variações de preços são elevadas devido às particularidades da tecnologia em questão e ao público que cada empresa pretende atingir.

Nas residências em fase de projeto, segundo a AURESIDE, muitas empresas cobram de 3% a 4% do valor da obra em automação sendo que deste percentual, 10% é relativo ao projeto, 60% relativo aos dispositivos e 30% relativo à mão-de-obra.

O que é necessário para desenvolver uma solução de automação residencial?

Desenvolver uma solução de automação residencial tem se tornado uma tarefa cada vez mais difícil depois que empresas como Intel, Microsoft, Sun, Philips, Samsung, Motorola, Cisco Systems, LG, NEC, Epson, Texas Instruments etc entraram no mercado produzindo individualmente, ou em parceria soluções ou componentes para automação residencial.

Apesar disso, há espaço no mercado para soluções mais específicas, focadas em certos “nichos de mercado”, principalmente para as classes com renda mais baixa que procuram sistemas uma quantia menor de funcionalidades.

Tenho visto boas soluções sendo desenvolvidas por alunos de cursos técnicos e universitários. Essas soluções poderiam ser ainda melhores se houvesse uma maior integração entre cursos de eletrônica, automação e computação, já que cada curso desenvolve habilidades diferentes, todas importantes para o desenvolvimento de um bom sistema de automação residencial.

Se você deseja desenvolver uma boa solução de automação residencial, terá que conhecer muito bem o funcionamento das soluções existentes no mercado, saber programar em linguagem C e/ou Assembler e entender muito bem o funcionamento dos principais microcontroladores do mercado, como PIC que se comunica com os chips MRF24J40 e MRF24J40MA da empresa Microchip para suportar o protocolo ZigBee, ARM7TDMI da empresa ARM, AVR32 da empresa Atmel etc. Também é necessário o entendimento de linguagem para desenvolver módulos de controle pela Internet, como HTML, PHP, ASP, Java etc.

Na prática, não é somente uma pessoa que desenvolve, e sim toda uma equipe com profissionais com conhecimentos diversificados.

Considerações finais

A automação residencial surgiu a partir da industrial no final da década de 70, quando empresas precursoras como X10 Corp e Leviton começaram a desenvolver produtos para a arquitetura residencial; porém, ao contrário do ambiente industrial, nas residências não havia espaço para grandes centrais de controle nem para extensos cabeamentos, o que impulsionou várias empresas como Cisco, Intel, Motorola, Philips entre outras a desenvolverem dispositivos dedicados ao ambiente residencial.

A partir da década de 90 acontece o grande avanço nas tecnologias de automação residencial. A utilização de controles remotos programáveis com comunicação por infravermelho ou radiofrequência tornou o controle de um sistema de automação residencial bem mais amigável e prático. Unido a isso, o surgimento e posterior barateamento da Internet banda larga aliada à evolução das telecomunicações, comunicação sem fio e a popularização do celular e dos computadores portáteis criou todas as condições necessárias para a concretização da casa conectada por meio da Internet.

Existe hoje no mercado uma gama enorme de soluções de automação residencial com características diversificadas que na maioria das vezes executam funções semelhantes.

Na prática, o consumidor adquire soluções de automação residencial aos poucos, na medida em que vai percebendo os benefícios. Isso torna importante a aquisição de uma tecnologia que permita a expansão do sistema e o interfaceamento com tecnologias de outras marcas. Desse modo, se a tecnologia adquirida for descontinuada você poderá interfacear o que tem com módulos de outras tecnologias.

Hoje, na automação residencial começamos a perceber algo semelhante ao que aconteceu com a área de Informática nas últimas décadas. Os equipamentos de fabricantes diferentes começam a ter uma integração mais fácil, tendendo no futuro a se tornarem plug-and-play e se comunicarem com o uso de um número reduzido de protocolos de comunicação. Portanto, o próprio usuário poderá instalar seu próprio sistema de automação facilmente.

A expectativa é que num futuro próximo todas as residências sejam projetadas e construídas com a infraestrutura necessária para suportar equipamentos de automação residencial e que as soluções existentes estejam ao alcance de uma maior parcela da população. Para isso é imprescindível o desenvolvimento de soluções de baixo custo, que possam ser produzidas e disponibilizadas em grande escala.

*Originalmente publicado na revista Eletrônica Total Nº138

No projeto da residência também é muito comum a inclusão da infra-estrutura necessária para a instalação de sistemas de aspiração central. Apesar de geralmente não fazer parte das soluções de automação residencial, podem ser integradas a esses sistemas e muitas vezes comercializadas juntamente com as soluções de automação residencial.

Aspiração central consiste na instalação de um aspirador central em área de serviço, tais como: garagem, depósito ou lavanderia. Esta unidade fica interligada a uma rede de tubos de PVC distribuídos no interior de paredes, forros ou sob pisos, finalizando em tomadas fixas especiais, estrategicamente distribuídas dentro do ambiente. Ao encaixar a mangueira nestas tomadas aciona-se automaticamente o sistema de aspiração.

Outra consideração valiosa relacionada ao projeto é o aproveitamento ade- quado dos recursos elétricos. É importante projetar o imóvel para aproveitar a luz natural por meio do posicionamento e aumento no tamanho das janelas, uma vez que as soluções de automação residencial têm como uma das preocupações a redução no consumo de energia. Uma boa ajuda também vem de um bom projeto.

A propósito, em fase de projeto, tanto as soluções com comunicação por cabos como as por radiofrequência são indicadas.

Como automatizar uma residência já construída?

A instalação de uma solução de automação residencial em uma residência já construída implica no que é denominado retrofitting (reforma). Para esses casos, soluções com comunicação sem fio evitam uma mudança radical na estrutura do imóvel residencial, mas, fatalmente, algumas paredes terão de ser quebradas para a inserção de módulos e ligação de fios ou colocação de conduítes, uma vez que a comunicação é sem fio entre os módulos, mas geralmente cada dispositivo terá de ser ligado ao quadro elétrico, ou ao equipamento a ser controlado por meio de fios.

Muitas residências mais antigas não possuem nem mesmo aterramento elétrico e as extensões que vão sendo puxadas com o tempo podem interferir no bom funcionamento da rede elétrica e, consequentemente, das soluções de automação. Existem soluções no mercado cuja comunicação se dá por rede elétrica. Para essas, a adequada instalação elétrica é crucial para o funcionamento.

É aconselhável escolher uma solução de automação residencial por meio de um integrador de sistemas ou empresa especializada que possa trabalhar junto com um eletricista de sua confiança para a instalação da solução. Você pode também optar por utilizar o serviço do eletricista da própria empresa que comercializa os produtos de automação.

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